Governo Assina em Março Concessão de 110 Milhões USD para Porto Seco do Dondo

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Projecto estruturante pretende aliviar congestionamento na Beira, aumentar eficiência portuária e reforçar capacidade logística no centro do país.

Questões-Chave:
  • Concessão do Porto Seco do Dondo será assinada nas próximas semanas;
  • Investimento estimado em 110 milhões USD em regime de parceria público-privada;
  • Infra-estrutura ocupará 200 hectares, com 115 hectares na fase inicial;
  • Capacidade inicial prevista de cinco milhões de toneladas por ano;
  • Objectivo central é reduzir congestionamento no Porto da Beira e na cidade;
  • Projecto envolve CFM, Union Port Link e Conselhos Empresariais locais;
  • Operacionalização prevista cerca de 30 meses após assinatura.

O Governo de Moçambique prevê assinar em Março o contrato de concessão para a construção do Porto Seco do Dondo, na província de Sofala, num investimento estimado em 110 milhões de dólares, segundo avançou a Lusa.

De acordo com Fernando Ouana, Director Nacional de Logística, a assinatura do contrato deverá ocorrer “dentro de uma ou duas semanas”, estando o início das obras previsto para cerca de um ano após a formalização da concessão, período necessário para estruturação financeira e mobilização de recursos.

A conclusão da infra-estrutura está estimada em cerca de 30 meses após a assinatura, prazo considerado como referência para o início da operação efectiva do porto seco.

Infra-estrutura estratégica integrada com o Porto da Beira

O projecto será implementado no distrito do Dondo e ocupará uma área total de 200 hectares, sendo que a fase inicial de desenvolvimento abrangerá aproximadamente 115 hectares.

Na primeira fase, o porto seco deverá movimentar cerca de cinco milhões de toneladas de mercadorias por ano, com potencial de expansão futura.

A infra-estrutura será integrada operacionalmente com o Porto da Beira, funcionando como plataforma logística complementar destinada a melhorar a eficiência, reduzir congestionamento e optimizar fluxos de carga.

Segundo Fernando Ouana, “o maior ganho com a construção do porto será aliviar a cidade da Beira do actual congestionamento devido à situação no Porto da Beira”, acrescentando que a nova infra-estrutura permitirá reduzir constrangimentos operacionais e encurtar tempos de espera de navios na barra.

Modelo de parceria público-privada

O investimento será financiado através de uma parceria público-privada envolvendo os Portos e Caminhos de Ferro de Moçambique (CFM), a Union Port Link e os Conselhos Empresariais da Beira e do Dondo.

A decisão de avançar com o projecto sob regime de PPP foi formalmente aprovada em Conselho de Ministros a 11 de Novembro, conforme anunciado pelo então porta-voz do Governo, Salim Valá, igualmente Ministro da Planificação e Desenvolvimento, no final da respectiva sessão.

O modelo de concessão visa partilhar risco financeiro e operacional, mobilizar capital privado e acelerar a execução da infra-estrutura.

Contexto logístico e pressão sobre a Beira

O Porto da Beira é um dos principais corredores logísticos do país, servindo não apenas Moçambique, mas também países do hinterland como Zimbabwe, Zâmbia e Malawi.

Nos últimos anos, o aumento do volume de carga e a pressão sobre acessos rodoviários têm gerado congestionamento significativo, afectando eficiência operacional e competitividade regional.

Em Fevereiro de 2025, o Ministério dos Transportes e Logística anunciou a realização de estudos para mitigar congestionamento de camiões na cidade da Beira.

Paralelamente, a Cornelder de Moçambique, concessionária do Porto da Beira, anunciou em Agosto um investimento de 8,6 milhões de dólares para modernização de infra-estruturas e aquisição de novos equipamentos.

O Porto Seco do Dondo surge, assim, como complemento estratégico às intervenções já em curso.

Implicações económicas

Do ponto de vista macroeconómico, a construção do porto seco poderá reforçar a capacidade de escoamento de exportações, melhorar a competitividade logística regional e reduzir custos operacionais associados ao congestionamento actualmente registado na Beira. Ao mesmo tempo, a nova infra-estrutura tende a aumentar a atractividade do Corredor da Beira como plataforma estratégica de comércio regional e a estimular o desenvolvimento económico no distrito do Dondo, promovendo maior dinamização empresarial, criação de emprego e expansão de serviços logísticos complementares.

A eficiência logística constitui variável crítica para competitividade industrial e integração regional. Infra-estruturas de retaguarda como portos secos permitem desconcentrar operações, optimizar armazenamento e melhorar articulação entre ferrovia, rodovia e porto marítimo.

Entre ambição e execução

O projecto representa um passo relevante na agenda de modernização logística do país. Contudo, o impacto dependerá da qualidade da execução, da articulação efectiva com o Porto da Beira e da capacidade de assegurar financiamento e cumprimento de prazos.

Se executado conforme previsto, o Porto Seco do Dondo poderá tornar-se um dos principais activos logísticos do centro de Moçambique.

A assinatura da concessão marcará o início formal dessa ambição.

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