
É preciso dar sentido a ideia de “corredores”
_”Corredores que não deixam correr são uma contradição que importa resolver”, frisa Fernando Couto. A expansão da rede estradas e a remoção de “barreiras desnecessárias” devem, no seu ponto de vista, ser as apostas para promoção da competitividade dos corredores de transportes no País.
Um sistema de transportes eficiente é uma condição imprescindível para o crescimento económico e o desenvolvimento harmonioso de qualquer geografia, não só pelo seu papel na dinamização dos processos económicos ao nível interno mas também como facilitador da interligação desse território com o exterior.
Com efeito, em função da crescente globalização das economias e da consequente reorganização e relocalização dos sistemas produtivos, assiste-se a uma crescente exigência de mobilidade por parte do sector produtivo e a uma procura, cada vez mais importante, de serviços integrados de logística e transporte.
No caso particular da economia nacional, em virtude da sua localização privilegiada ao nível da região, com uma costa que se prolonga por cerca de 2 500 Km, o nosso país sempre se posicionou como um player relevante na prestação de serviços de logística e transporte através dos seus corredores aos países do hinterland, os land-lockced-countries.
O país conta com três corredores de transportes terrestres, partindo de três portos principais – Maputo, Beira e Nacala – que ligam os países do hinterland e a parte nordeste da África do Sul ao Oceano Índico. Toda a política de transportes do país se desenrola em torno destes três portos.
Evidenciado a sua importância para a economia nacional, as infra-estruturas têm merecido uma atenção especial do sector público e privado, com vários investimentos visando assegurar a sua competitividade. “Nós temos todas as condições para prestar serviços através dos corredores. Os portos estão modernizados, estão apetrechados com tecnologia”, destacou Fernando Couto, Presidente dos operadores portuários, falando ao económico sobre o desempenho e a competitividade dos corredores de transportes no país.
Segundo os operadores do sector, o sistema de transportes beneficiou de “investimentos consideráveis” ao longo dos últimos, principalmente ao nível de infra-estruturas portuárias e, mais recentemente, na estrutura ferroviária, entretanto, ainda há muito trabalho a ser feito: “os corredores precisam ser abastecidos por uma rede de estradas”.
Nesta perspectiva, torna-se pertinente e premente uma reorientação da actual política de transporte mais focada na reabilitação e conservação da rede existente para uma política voltada a projecção de novas e melhores estradas principais, secundárias e terciárias para dinamizar a competitividade dos nossos serviços integrados de transporte e logística. “Se quisermos voltar a ter o papel que tivemos a nível do transporte ferro-portuário, é necessário que se reflicta e tome decisões no sentido de promover a competitividade dos nossos corredores”, enfatizou.
A par do reforço e melhoria da rede de transporte rodoviário, os operadores do sector apontam para a necessidade de remoção de “mecanismos burocráticos desnecessários” que vem recorrentemente onerando a sua estrutura de custos e, consequentemente, tornando menos competitivos os seus serviços.
“A questão não está no porto, a questão está em chegar e sair do porto”, destacou Fernando Couto, para depois explicar que existe uma série de “barreiras desnecessárias” que tem tornado os portos dispendiosos, desde a morosidade nos procedimentos de controlo, verificação, básculas, até a aplicação de “taxas e taxinhas”.
“Tudo que seja para complicar é preciso arranjar maneira de facilitar”, frisou, apontando para a necessidade de diálogo público-privado visando melhorar a competitividade dos nossos corredores de transporte: “É necessário que haja um diálogo construtivo ao nível de várias instituições do Governo para que não haja uma teia tamanha de dificuldades que transformam os nossos trajectos corredores de baixa de velocidade”, concluiu.(OE)
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