
Banco Central do Brasil perspectiva corte de juros em Agosto
O Banco Central do Brasil sinalizou na última terça-feira, 27/06, que a maioria de suas autoridades vê a possibilidade de um corte “parcimonioso” de juros em sua próxima reunião, prevista para Agosto, desde que um cenário de inflação mais benigno se consolide.
A acta da reunião de 20 e 21 de Junho, em que o comité de fixação de taxas conhecido como Copom manteve a taxa básica em 13,75% pela sétima vez consecutiva, revelou divergência de opiniões em relação à sinalização de passos futuros.
“A avaliação predominante foi de que a continuação do processo desinflacionário em curso, com seu consequente impacto nas expectativas, pode permitir a construção da confiança necessária para iniciar um processo parcimonioso de inflexão na próxima reunião”, disse o Banco Central.
Uma minoria dos membros do Copom adoptou uma postura mais cautelosa, mostrou a acta.
Em resposta à acta, os futuros das taxas de juro de curto prazo abriram em baixa e a curva de rendimentos indicou um corte inequívoco da taxa em agosto, com uma probabilidade de 95% de uma redução de 25 pontos base.
Enquanto isso, a moeda brasileira se firmou ligeiramente em relação ao dólar.
O Ministro da Fazenda, Fernando Haddad, que já havia expressado insatisfação com a abordagem hawkish do Banco Central, disse a jornalistas que a perspectiva de uma próxima flexibilização monetária é “boa” e mostra que o Governo está no “caminho certo”.
William Jackson, Economista-Chefe de mercados emergentes da Capital Economics, disse que agora é “difícil argumentar contra o início de um ciclo de flexibilização em Agosto”, citando também o apoio de dados na terça-feira, 27/06, mostrando inflação anual até meados de Junho em 3,4%. Anteriormente, ele não esperava um corte de juros até Setembro.
Embora o Banco Central tenha adoptado, no seu comunicado de política monetária, um tom mais moderado ao excluir a possibilidade de aumentos de juros, evitou na semana passada sinalizar quando a flexibilização monetária poderia começar, apontando em vez disso para uma postura dependente de dados.
A comunicação gerou críticas do Presidente Luiz Inácio Lula da Silva, de ministros e de alguns participantes do mercado, que esperavam uma mudança notável no tom do banco devido à inflação abaixo do esperado, a uma moeda mais forte e à redução das expectativas de inflação.
Além disso, as taxas de juros futuras caíram à medida que o Congresso avançou com as novas regras fiscais do governo, vistas como cruciais para conter a dívida pública descontrolada após o aumento dos gastos sociais de Lula para cumprir promessas de campanha.
Na acta, o banco apontou que alguns membros ainda apoiam a necessidade de observar uma nova redução nas expectativas de inflação de longo prazo e mais evidências de desinflação nos componentes mais sensíveis ciclicamente.
O Banco Central sublinhou que as expectativas de inflação diminuíram ligeiramente, mas permanecem desancoradas das metas oficiais, em parte devido ao questionamento sobre uma possível mudança nas metas futuras de inflação, acrescentando que “decisões que reancoram as expectativas podem levar a uma desinflação mais rápida”.
O Conselho Monetário Nacional, composto pelo ministro das Finanças, ministro do Planeamento e governador do banco central, vai reunir-se esta quinta-feira, 29/06, para confirmar as metas de inflação de 3% para 2024 e 2025, bem como definir a meta oficial para 2026.
A pressão anterior de Lula por metas de inflação mais altas para aliviar a política monetária perdeu força, com o Ministro da Fazenda, Haddad, enfatizando recentemente a inclinação do Governo a ajustar o cronograma para atingir as metas, favorecendo uma abordagem contínua em relação à actual meta do ano civil.
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