Concentração bancária tende a reduzir nos últimos cinco anos, indicia aumento da competitividade no sector – REF

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  • Indicadores de solidez financeira estão em níveis historicamente altos
  • Rácio de NPL mostra sinais consistentes de redução nos últimos anos
  • Ainda que sob choques internos e externos, Sistema Financeiro, segue estável, sólido e bem capitalizado – REF

O sistema financeiro cresceu 4,6% em 2023, relativamente acima do nível registado em 2022 (3,1%), e os principais indicadores financeiros mostram que o mesmo continua estável, sólido e bem capitalizado, revela o Relatório de Estabilidade Financeira do Banco de Moçambique, datado de Maio de 2024.

A publicação refere que o sector bancário manteve-se rentável e estável, com níveis adequados de capitalização, rendibilidade e liquidez durante o período em análise. Entretanto, adverte o REF, relativamente à qualidade dos activos, medida pelo rácio do NPL, “apesar da tendência decrescente nos últimos anos, situou-se em 8,24%, acima do benchmark convencional de 5%”.

Relativamente aos resultados líquidos, o REF observa que estes ascenderam a 30,8 mil milhões de meticais, representando um crescimento de 8,12% em relação a 2022, dos quais 22,8 mil milhões de meticais (73,92%) foram obtidos pelas três instituições de crédito domésticas classificadas como D-SIBs, nomeadamente, BCI, Millennium bim e Standard Bank.

 

Sobre o nível de concentração do sector bancário, em 2023, de acordo com o REF, os D-SIBs representavam conjuntamente 60,78%, 66,16%, e 54,37% dos activos, depósitos e crédito, respectivamente, contra 64,45%, 68,01% e 54,23% observados em igual período de 2022.

A estrutura do balanço do sector bancário moçambicano mostra que o activo total fixou-se em 918,5 mil milhões de meticais, representando um crescimento de 7,27%, financiado em parte pelo aumento de depósitos e recursos de outras instituições, em 2,22% e 152,58%, respectivamente, comparativamente ao ano anterior.

O rácio activo total do sector bancário sobre o Produto Interno Bruto (PIB) fixou- se em 66,97% no período em análise, o que representa uma redução de 6,45 pp em relação a 2022.

“A opção por investimentos em activos de elevada liquidez, rendibilidade e menor risco, constituídos pelas disponibilidades, aplicações em instituições de crédito e activos financeiros, continuou a determinar a composição do activo, representando 53,92% do total do activo de 2023, após 47,09% apurado em 2022.

Constata o REF que o crédito líquido de imparidades, uma das variáveis mais importantes na composição do activo, representou 29,10% do activo total do balanço do sector bancário, em 2023, contra 31,59% do período homólogo do ano anterior.

As disponibilidades ascenderam a 300,2 mil milhões de meticais em Dezembro de 2023, representando um crescimento de 129,01% em relação ao período homólogo de 2022.

“Esta variação resulta, principalmente, do crescimento dos depósitos à ordem das instituições de crédito em 256,98% no BM, no âmbito do cumprimento do requisito das reservas obrigatórias”, sublinha o REF.

O REF destaca que, em Dezembro de 2023, “as aplicações em instituições de crédito reduziram em 79,4 mil milhões de meticais (40,10%) face ao período homólogo de 2022, atingindo o montante de 198,0 mil milhões de meticais, devido, essencialmente, à redução das aplicações no BM e dos depósitos em instituições de crédito no país e no estrangeiro, em 39,62% e 49,05%, respectivamente”. 

O passivo total do sector bancário fixou-se em 747,2 mil milhões de meticais, representando um crescimento de 7,0% comparativamente a 2022.

O Banco de Moçambique justifica que esta variação positiva resultou, fundamentalmente, do aumento dos recursos de instituições de crédito e depósitos em 152,58% e 2,22%, respectivamente. 

“Os depósitos constituem a maior fonte de captação de recursos das instituições de crédito e representam 85,10% do passivo total”. Sublinha

 

Indicadores de solidez financeira em níveis historicamente elevados

Revela o REF que, em Dezembro de 2023, os indicadores de adequação de capital mantiveram-se em níveis historicamente elevados. Com efeito, o rácio de solvabilidade agregado fixou-se em 25,67%, equivalente a 13,67 pp acima do mínimo regulamentar, após 26,77% em 2022. 

“A diminuição deste rácio em 1,10 pp, em relação ao período homólogo do ano anterior, deveu-se, sobretudo, ao crescimento dos activos ponderados pelo risco (15,24%), que superou o aumento dos fundos próprios elegíveis (9,81%)”. Explica, acrescentando que o rácio de solvabilidade registou uma redução de 72 pontos base (pb), encerrando o ano em 26,65%, nível acima do mínimo regulamentar de 10%.

O rácio de alavancagem, que fornece informação sobre a dimensão em que os activos são financiados pelos capitais próprios, fixou-se no período em análise em 13,32%, contra 12,80% observados em 2022.

O REF constata que o rácio de NPL continuou a registar uma tendência decrescente, tendo-se situado em 8,24% em 2023, após 8,97% observado no período homólogo de 2022.

“É necessário destacar que o rácio de NPL tem estado a mostrar sinais consistentes de redução nos últimos anos, resultado de melhoria dos processos de gestão de créditos (gráfico 12). Apesar desta tendência, este indicador permanece acima do benchmark convencional de 5,0%”. Afirma o Banco de Moçambique.

Contudo, o rácio de cobertura do NPL pelas provisões específicas registou uma redução anual de 5,80 pp, fixando-se em 66,04% em Dezembro de 2023.

Sob perspectiva da rendibilidade, no período em análise, de acordo com o REF, o resultado líquido atingiu o valor de 30,8 mil milhões de meticais, o que traduz um aumento de 8,12% em relação ao período homólogo do ano anterior.

“Esta variação é justificada, principalmente, pelo incremento dos outros resultados de exploração em cerca de 6,0 mil milhões de meticais e da margem financeira em 2,3 mil milhões de meticais”. Explica o REF

O peso da margem financeira no produto bancário situou-se em 63,87%, em 2023, após 68,50%, no período homólogo do ano anterior, o que evidencia a queda da intermediação financeira na geração dos resultados.

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