
Eventual colapso da Transnet põe em risco uma indústria de 200 mil milhões de rands
Depois da crise da electricidade a ‘SAfrica do Sul, receia entrtar na crise da logística, devido a deterioração dos corredores ferroviários da Transnet que tem estado a obrigar o sector mineiro a transportar os seus minerais para os portos da África do Sul e países vizinhos, particularmente, Moçambique, através de camiões, um método considerado altamente ineficiente para este tipo de actividades em especifico.
No entanto, o declínio do preço de muitos minerais está a ameaçar os negócios de muitas mineradoras, que a meio, lamentaram o fraco desempenho da Transnet, sendo Nombasa Tsengwa, da Exxaro, o mais recente.
A Exxaro divulgou os resultados intercalares para os seis meses até ao final de Junho de 2023, registando um declínio de 32% no lucro operacional líquido.
Numa entrevista à Business Day TV, Tsengwa sublinhou o impacto do fraco desempenho da Transnet na empresa. Sendo a maior empresa de extracção de combustíveis fósseis do País, a Exxaro depende fortemente das exportações de carvão.
A Exxaro afirmou que a queda dos preços do carvão nos últimos dez meses tornou inviável o transporte rodoviário dos seus produtos, enquanto continua a debater-se com um sistema ferroviário estatal que funciona mal.
O API4, o preço de referência para as exportações de carvão da África do Sul, atingiu um máximo de cerca de 280 dólares por tonelada em Agosto de 2022, mas desde então caiu para 100 a 120 dólares por tonelada.
O Reserve Bank estimou que o transporte de carvão para Richards Bay por via ferroviária custa cerca de US $ 11 dólares por tonelada, enquanto o transporte por caminhão custa às empresas cerca de US $ 70 por tonelada.
Muitos mineiros recorreram a camiões para transportar a sua produção para Maputo, em Moçambique, para evitar a utilização da infra-estrutura ferroviária da Transnet e os atrasos nos portos sul-africanos.
Esta situação colocou em risco a indústria mineira sul-africana, que contribui com mais de 200 mil milhões de rands para o PIB.
O maior produtor de minério de ferro da África do Sul, a Kumba Iron Ore, afirmou na sua apresentação dos resultados intercalares que, só nos primeiros seis meses do ano, tinha perdido 6 mil milhões de rands com as ineficiências da Transnet. Isto para além de uma perda de 10 mil milhões de rands em 2022.

Mpumi Zikalala, Directora Executiva de Kumba
“Um sistema logístico eficiente é fundamental para o comércio global e para o enfraquecimento do crescimento económico da África do Sul”, afirmou o CEO da Kumba, Mpumi Zikalala.
“Dada a incerteza devido aos desafios logísticos, a empresa decidiu adiar despesas de capital não críticas de R 2 mil milhões de Rands”.
A exploração mineira não é o único sector em risco
A exploração mineira está longe de ser a única indústria em risco, com o economista-chefe do Conselho de Minerais da África do Sul, Hank Langehoven, a afirmar que 60% do PIB está em risco devido ao colapso da Transnet.
Langenhoven disse que a economia da África do Sul é peculiar, na medida em que actua como um país sem litoral, com a maior parte do seu PIB situado no centro do país, em Gauteng.
A produção em Gauteng precisa de ser transportada para outras províncias e para a costa para ser exportada. Este facto faz com que a África do Sul dependa fortemente da infra-estrutura ferroviária para o transporte eficiente de mercadorias.
Langenhoven afirmou que 60% do PIB da África do Sul, no valor de 3,8 biliões de rands, é gerado pelas importações e exportações.
O corredor de contentores Durban-Joanesburgo, em particular, é vital para a economia. Este corredor tem estado a funcionar a uma taxa de apenas 30% este ano, o que resultou numa perda de milhares de milhões de rands.
Langenhoven afirmou que a infra-estrutura ferroviária da África do Sul tem sofrido de um subinvestimento crónico e não tem crescido a par do aumento do comércio e da produção económica do país.
A última vez que foi construído um caminho-de-ferro de grande dimensão na África do Sul foi em 1976, quando foi concluída a linha de Saldanha-Sishen.
Em 1999, foi a última vez que a capacidade portuária da África do Sul foi alargada, com o estabelecimento de Coega, no Cabo Oriental, nesse ano.
A economia da África do Sul é, hoje, muito maior e efectua muito mais trocas comerciais do que há duas décadas. No entanto, a sua capacidade logística não aumentou.
Esta situação limitou efectivamente o crescimento da economia da África do Sul.
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