
“Extremamente arriscado”: OPEP critica a previsão da AIE de que a procura de combustíveis fósseis atingirá o seu pico antes de 2030
- OPEP critica fortemente a previsão da AIE de que a procura de combustíveis fósseis como o carvão, o petróleo e o gás atingirá o seu máximo antes do final da década.
- AIE, o principal organismo de controlo da energia a nível mundial, afirmou na terça-feira, 12/09, que o mundo está agora no “princípio do fim” da era dos combustíveis fósseis.
- “Tais narrativas apenas preparam o sistema energético global para um fracasso espectacular”, afirmou o Secretário-Geral da OPEP, Haitham al-Ghais.
A organização dos países produtores der petróleo OPEP criticou na quinta-feira, 14 de Setembro, a previsão da Agência Internacional de Energia (AIE) de que a procura de combustíveis fósseis como o carvão, o petróleo e o gás atingirá o seu pico antes do final da década, descrevendo essa narrativa como “extremamente arriscada”, “impraticável” e “ideologicamente orientada”.
A AIE, o principal organismo de controlo da energia a nível mundial, afirmou na terça-feira, 12 de Setembro, que o mundo está agora no “princípio do fim” da era dos combustíveis fósseis.
Num artigo de opinião publicado no Financial Times, o Director Executivo da AIE, Fatih Birol, afirmou, pela primeira vez, que a procura de carvão, petróleo e gás atingirá o seu pico antes de 2030, prevendo-se que o consumo de combustíveis fósseis diminua à medida que as políticas climáticas forem sendo aplicadas. A sua avaliação baseia-se no World Energy Outlook da AIE, um relatório influente que deverá ser publicado em Outubro.
Birol saudou a previsão como um “ponto de viragem histórico”, mas deixou claro que os declínios projectados não seriam “nem de perto nem de longe suficientes” para colocar o mundo na via da limitação do aquecimento global a 1,5 graus Celsius acima dos níveis pré-industriais.
Este limiar de temperatura é amplamente considerado crítico para evitar os piores impactes da crise climática. A queima de combustíveis fósseis é a principal causa da emergência climática.
A OPEP, um grupo multinacional constituído principalmente por países do Médio Oriente e de África, publicou uma declaração na quinta-feira para expor as suas objecções às previsões do director da AIE.
“Tais narrativas apenas preparam o sistema energético global para um fracasso espectacular. Levariam a um caos energético a uma escala potencialmente sem precedentes, com consequências terríveis para as economias e milhares de milhões de pessoas em todo o mundo”, afirmou o Secretário-Geral da OPEP, Haitham al-Ghais.
A OPEP afirmou que as previsões anteriores sobre o pico da procura de combustíveis fósseis não se concretizaram. No entanto, acrescentou que a diferença entre estas previsões e as actuais, “e o que as torna tão perigosas”, é que foram frequentemente acompanhadas de apelos à suspensão do investimento em novos projectos de petróleo e gás.
A organização dos países exportadores de petróleo já tinha instado a AIE a ter “muito cuidado” para não prejudicar os investimentos do sector.
Birol, da AIE, afirmou reconhecer que seria necessário algum investimento em petróleo e gás para compensar os declínios nos campos existentes, mas alertou para os grandes riscos climáticos e financeiros associados a novos projectos de combustíveis fósseis em grande escala.
“Consciente do desafio que o mundo enfrenta para eliminar a pobreza energética, satisfazer a crescente procura de energia e garantir energia acessível, reduzindo simultaneamente as emissões, a OPEP não rejeita quaisquer fontes ou tecnologias energéticas e acredita que todas as partes interessadas devem fazer o mesmo e reconhecer as realidades energéticas a curto e longo prazo”, afirmou al-Ghais da OPEP.
Relação difícil
A relação entre a OPEP e a AIE tem sido cada vez mais tensa nos últimos anos, com Birol a criticar o ritmo a que a aliança de produtores aumentou as suas taxas de produção, à medida que desfazia os drásticos cortes de produção que implementou na sequência da pandemia de Covid-19.
A OPEP e a AIE também têm divergido na sua abordagem à descarbonização global. A AIE tem afirmado repetidamente que o caminho para as emissões líquidas nulas exige uma redução maciça da utilização do petróleo, do gás e do carvão e advertiu, num relatório histórico de 2021, que não há lugar para novos projectos de combustíveis fósseis se o mundo quiser evitar o pior que a crise climática nos reserva.
Em Abril do ano passado, a mensagem dos principais cientistas do clima a nível mundial foi a de que será necessária uma redução substancial da utilização de combustíveis fósseis para travar o aquecimento global.
De facto, o Painel Intergovernamental para as Alterações Climáticas das Nações Unidas afirmou que a actual utilização de combustíveis fósseis já era mais do que o planeta podia suportar e que os projectos adicionais estavam destinados a bloquear emissões ainda maiores, com consequências devastadoras.
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