
Sector privado recupera mas ainda está moribundo
O segundo trimestre de 2021 ficou marcado por uma recuperação tímida da actividade empresarial resultante do alívio das medidas de contenção da propagação da pandemia da COVID-19, revelam informações da IV edição do Índice de Robustez Empresarial, apresentado esta quinta-feira (29/07) pela Confederação das Associações Económicas.
O Índice de Robustez Empresarial (IRE) mostrou uma tendência de recuperação no segundo trimestre de 2020, após a deterioração de 12 pontos percentuais (pp) registada entre o último trimestre de 2020 e o primeiro trimestre de 2021. O IRE melhorou de 28%, verificados no primeiro trimestre, para 29% entre abril e junho deste ano.
Numa avaliação sectorial do índice de robustez, a CTA refere que a recuperação foi influenciada pela reanimação da actividade económica nos sectores da Agricultura, Hotelaria e Restauração, comércio e serviços e Transportes, face ao o alívio das medidas de contenção da COVID-19 observada no referido período.
Analisando a evolução das principais variáveis de desempenho, os dados indicam que, apesar de continuarem muito abaixo dos níveis de 2020, os resultados das empresas registaram uma melhoria, tendo apresentando um aumento de 17% no segundo trimestre. A redução dos prejuízos das empresas resulta do aumento da receita em 3,4% e a redução dos custos em 0,44%, devido, fundamentalmente, ao “alívio das medidas de contenção da propagação da pandemia da COVID-19, a par do arranque da comercialização agrícola e o início da temporada de exportações das commodities agrícolas e produtos pesqueiros”.
De acordo com a CTA, o segundo Trimestre do ano foi igualmente marcado por algumas alterações regulatórias com impacto positivo na actividade empresarial, designadamente: o alívio das medidas restritivas de combate à pandemia da COVID-19, a revogação das taxas de assistência e fiscalização abordo nos postos fronteiriços e o lançamento da Central de Registo de Garantias Mobiliárias. No entanto, a entrada em vigor do novo Regulamento das Custas da Jurisdição Administrativa, que institui o agravamento do valor das custas em cerca de 170%, exacerbou os custos transaccionais às empresas que ainda se debatem com os efeitos nefastos da pandemia da COVID-19.
Face aos desenvolvimentos registados, o ambiente macroeconómico registou uma ligeira melhoria ao longo do II Trimestre de 2021, tendo aumentado em 4 pontos percentuais, de 46% para 50%, “reflectindo a apreciação da taxa de câmbio, e a tímida desaceleração da inflação”.
São pessimistas as perspectivas sobre o desempenho empresarial
Numa análise prospectiva, a CTA avança que é expectável um retrocesso no desempenho empresarial, “devido à retoma das medidas restritivas, recentemente anunciadas pelo Governo, face ao surgimento da nova vaga de propagação da pandemia viral”.
Considerando que as medidas anunciadas irão limitar, mais uma vez, o funcionamento da máquina empresarial, a CTA alerta que, “na ausência de estímulos ao sector empresarial, estas medidas restritivas podem resultar numa situação pior a observada no I semestre do ano, período em que se registou perda de cerca de 802 postos de trabalho em 90 empresas”. No entanto, os últimos desenvolvimentos na zona norte, tendentes ao restabelecimento da segurança e estabilidade, e os progressos na campanha de vacinação poderão ter um impacto positivo no desempenho empresarial no próximo trimestre.














