Agentes económicos encorajam a intervenção do banco central face aos impactos macroeconómicos do COVID-19, mas clamam por mais medidas

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Em reação ao último comunicado do Banco de Moçambique, face aos impactos macroeconómicos do Covid-19, vulgo coronavírus, o sector privado nacional, representado pela Confederação das Associações Económicas (CTA), encoraja a postura do Banco Central com vista a mitigação dos efeitos desta pandemia, mas clamam por mais medidas.

De acordo com o Presidente do Pelouro de Política Financeira na CTA, Bernardo Cumaio, o Banco de Moçambique já deu o primeiro passo para o combate aos efeitos do COVID-19 na economia. No entanto, Cumaio assegurou que as medidas constantes no comunicado posto a circular semana passada pelo Banco de Moçambique não se mostram suficientes para as necessidades actuais, quer do sistema financeiro quer da economia real.

Recorde-se que o Banco Central decidiu recentemente introduzir uma linha de financiamento em moeda estrangeira para as instituições participantes no Mercado Cambial Interbancário no valor global de 500 milhões de dólares norte-americanos, bem como a autorizar a não constituição de provisões adicionais pelas instituições de créditos e sociedades financeiras nos casos de renegociação dos termos e condições dos empréstimos.

Para o Presidente do Pelouro de Política Financeira na CTA, a medida estrutural que o Banco de Moçambique deveria tomar para aliviar os efeitos macroeconómicos do COVID-19 seria a redução da taxa MIMO, como os outros bancos centrais têm feito a nível internacional. Cumaio entende que o Banco de Moçambique tem receio de reduzir o indexante devido ao seu mandado de assegurar a inflação estável. No entanto, o nosso entrevistado assegurou que a taxa de inflação está muito baixa, o que permite algum campo de actuação com moderada aceleração da mesma.

No que diz respeito a segunda medida, em que o regulador do sistema financeiro moçambicano autoriza a não constituição de provisões adicionais pelas instituições de créditos e sociedades financeiras nos casos de renegociação dos termos e condições dos empréstimos, Bernardo Cumaio revelou, em exclusivo ao O.ECONÓMICO, que sem esta medida os bancos comerciais teriam que reconhecer as restruturações como imparidades por um período não inferior a um ano e isto pode criar falsos alarmes em termos de evolução do NPL, ou seja, é uma medida de qualidade de activos dos bancos).

Cumaio acrescentou que o COVID-19 terá impactos sobre todos os sectores da economia, variando apenas na forma e intensidade do impacto. Para o nosso interlocutor, um dos sectores que registará impacto será o sector bancário. Este impacto, acredita Cumaio, poderá traduzir-se pelo aumento das imparidades, pois algumas empresas entrarão em mora ou, se quisermos, incumprimento. Sendo assim, conclui Cumaio, a não constituição de provisões adicionais na negociação de empréstimos em mora aumenta a disponibilidade de liquidez para os bancos comerciais enquanto reduz os seus créditos em incumprimento.

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