A falta de definição do papel do Estado na economia cria entraves ao crescimento e desenvolvimento económico

A falta de definição do papel do Estado na economia cria entraves ao crescimento e desenvolvimento económico

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O actual ambiente de indefinição do papel do Estado na economia está a obstaculizar oportunidades de negócios, num contexto em que, na relação com o sector privado, o Estado tende a ser regulador, árbitro e jogador, uma situação que, entre outras perversões, embarga a atracção de investimentos, afirma o empresário Bruno Morgado, num exclusivo “O.Económico”

Indagado no programa “Semanário Económico” sobre o clima de investimentos e atractividade da economia, o empresário, insiste que, “mesmo nos casos em que é imperiosa a intervenção do Estado, por falta de viabilidade de mercado”, é possível promover, aquilo que designou de “competição assistida, por fundos de apoio que ajudem a desenvolver regiões ou investimentos críticos em cadeias de valor a competição assistida”

Aprofundando a sua reflexão sobre o intervencionismo do Estado, Bruno Morgado afirma que a “sede de controle absoluto, resulta num custo enorme, num custo inqualificável, onde circunstâncias, posturas e posicionamentos políticos históricos, que podem parecer auxiliares ou colaterais, são eles mesmos razões do não desenvolvimento de negócios ou do mercado industrial”

O empresário entende que o actual estágio da economia, sugere alguns empurrões liberais em alguns sectores críticos. “precisamos pensar grande, de forma não egoísta e liberal”, frisou.

Bruno Morgado, faz questão de assinalar que, “enquanto não percebermos que o desenvolvimento só será alcançado pela proteção, incentivo, empoderamento e financiamento dos empreendedores privados nacionais, não teremos resultados diferentes dos que até hoje alcançamos. Ao sector privado cabe produzir e ao Estado cabe cobrar impostos para prestar os serviços que a si lhe competem, incluindo incentivos e financiamentos a programas de investimento críticos ao desenvolvimento de Moçambique.

Em resposta a pergunta “como se faria tal”, Bruno Morgado responde que “mais do que definirmos uma postura geral se queremos ser mais ou menos liberais, mais ou menos interventivos, temos que estruturar modelos de intervenção e de regulação adaptados a cada uma das circunstâncias ou a cada momento económico em que nos vemos desafiados. O plano ou a estratégia deve então passar, necessariamente, por uma planificação metódica e sectorial, mais do que somente uma política geral de posicionamento, que poderá colocar em causa a nobreza das intenções e os próprios objetivos dessas mesmas políticas”.

 

Capitalizar o dividendo demográfico

Num outro desenvolvimento, na entrevista que nos concedeu, o empresário com interesses em vários sectores e sobretudo no sector energético, recordou que nos próximos 50 anos, 75% dos nascimentos no mundo acontecerão em Africa. “Enquanto que o mundo desenvolvido terá a sua população em declinio, nós teremos um activo por capitalizar”.

Entretanto, prossegue, capitalizar este activo passa, por decisões fundamentais agora.

Como exemplos, Bruno Morgado, refere a pertinência da criação de empregos, “mas não quaisquer empregos”, alerta. Morgado, refere-se aos empregos que devem ser criados pela indústria manufactureira por ser aquela que, no seu entender, conduz ao crescimento real e que garante que a economia e a qualidade de vida geral melhorem definitivamente, “garantindo prosperidade sustentada, para o nosso continente e para o nosso país”.

 

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