
Operadores de carga e de correio aéreo revindicam melhores infraestruturas nos aeroportos nacionais
Nos últimos anos, o sector de carga aérea tem vindo a registar um crescimento acelerado. Dados que não nos deixem mentir: só em 2018, o país atingiu cerca de 14,032.9 toneladas de carga aérea.
O incremento de carga é tido como satisfatório, pois apesar da desaceleração económica que se verificou nos anos anteriores, o sector de carga aérea cresceu bastante. Esta abordagem é sustentada pelo Director-geral da LAM, João Carlos Pó Jorge: “obviamente que em 2013 houve uma queda porque a economia desacelerou, mas a partir de 2015/16 começamos a ver um crescimento e, obviamente, que agora este crescimento aumentou”. Um pronunciamento sustentado: “South African Airlines não tinha nenhum voo por semana para Moçambique, agora já tem três, quatro voos…”
Apesar destes bons sinais, operadores do sector de carga e correio no mercado nacional revindicam o melhoramento das infraestruturas aeroportuários. A inexistência de mecanismos de conservação de frios é um dos constrangimentos que os operadores se deparam quando querem transportar frios. “Temos tido muitas dificuldades”, lamentou Dário Nuvunga, Director-geral-adjunto da empresa Portador Diário.
Ainda de acordo com Nuvunga, outro constrangimento que diminui a compectividade do sector de carga aérea é o tempo que a carga leva para chegar ao destino, o que, segundo as suas palavras, leva muitos clientes a abandonar o transporte aéreo para o transporte terrestre.

João Carlos Po Jorge -Diretor Geral da LAM
“Se pudéssemos melhorar a disponibilidade e o escoamento de carga poderia dinamizar e elevar com que haja mais demanda na requisição de serviços”, acrescentou.
Em resposta a preocupação dos operadores, João Carlos Pó Jorge disse que a companhia de bandeira nacional está neste momento a unificar as frotas por forma a reduzir o tempo de desembarque da carga.
“Nós já iniciamos um processo de uniformização da frota que envolve a substituição dos Embraer 190 por Boeing 777. Já temos cá dois Boeing 777 e o segundo chegou agora em Março. O Boeing oferece mais capacidade de carga, o que vai dar mais possibilidade de responder a ansiedade destes operadores de correio”, revolou Pó Jorge.
Para Amade Camal, PCA da Sir Motors, o que falta em termos infraestruturais é muito pouco e o país pode alcançar.
“Eu estou convencido de que se houver economia de escala, os aeroportos facilmente poderão equipar-se”, sustentou Amade Camal.
Em jeito de recomendação, o Administrador dos Aeroportos de Portugal, Francisco Vieira Pita, disse que Moçambique deve apostar nas infraestruturas e garantir que os aeroportos sejam eficientes.
“Como gestores de infraestruturas o que acreditamos é que se conseguimos ter aeroportos extremamente eficientes, conseguimos, por essa via, dar o nosso contributo e fazer com que esse desenvolvimento de tráfego aconteça”, afirmou Vieira Pita.
Vieira Pita disse ainda que Moçambique deve tirar partido da sua rede territorial: “Moçambique tem uma rede territorial de aeroportos muito bem localizados e, portanto, nós acreditamos que é possível tirar partido desse potencial que já existe e com isso promover o desenvolvimento ainda maior. Do ponto de vista estratégico, era muito importante garantir rapidamente a continuidade do desenvolvimento das infraestruturas aeroportuárias e em conjunto com isso procurar também um alinhamento dos vários players do sector quer a nível da carga quer a nível dos passageiros para se conseguir ter uma forma inteirada de actuação.
Para a superação destes e outros entraves, o IACM anunciou estar em curso a produção de uma Masterplan há dez anos que vai envolver todos os parceiros do conselho aeronáutico.
Veja o vídeo logo a seguir:


















